Alguns trechos do livro Caderno H, do ilustre poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994):
“▬ Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos e não aguenta os que continuam vivos?
▬ Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois é burro.
▬ Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.
▬ Cidade grande: dias sem pássaros, noites sem estrelas.
▬ E eis que, tendo Deus descansado no sétimo dia, os poetas continuaram a obra da Criação.
▬ Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.
▬ A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.
▬ Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.
▬ O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente…
▬ Uma das coisas que não consigo absolutamente compreender são os que se convertem a outras religiões.
Para que mudar de dúvidas?
▬ Há leitores que acham bom tudo o que a gente escreve. Há outros que sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies irrita mais.
▬ A teologia é o caminho mais longo para chegar a Deus.
▬ A modéstia é a vaidade escondida atrás da porta.
▬ Amai-vos uns aos outros é muito forte para nós: o mais que podemos fazer, dentro da imperfeição humana, é suportarmo-nos uns aos outros.
▬ Antes, se alguém começava a ouvir vozes, era adorado como um santo ou queimado como um bruxo. Agora, é simplesmente encaminhado ao psiquiatra.”


